quarta-feira, 19 de julho de 2017

«AUTOGOLO» . Por Ana Ana Filipa Gomes Ferreira

«AUTOGOLO

Signal Iduna Park. 19 horas, 45 minutos. Um apito curto que coloca as pernas de 22 em movimento e o coração de milhões aos saltos. Ao fundo, um muro amarelo. Quente, vibrante, impenetrável. Mágico. Verdadeiramente mágico. Um amarelo que ri e que chora. De alegria e de tristeza. Um amarelo que sente e sentido. Infalível. Um amarelo que ama e não falha. Que grita e não se cansa.
Um cai, outro perde a bola. Um lesionado e um fora de jogo assinalado.
Se eu, pequeno e despercebido pedaço de amarelo, vos pudesse dizer algo antes daquele apito curto? Não esperem um ‘boa sorte’. Pedir-vos-ia que sejam aquilo que vos torna únicos. Aquilo que são antes de serem grandes no futebol e de me arrepiarem os braços com os pés. Que sejam humanos e que não levem convosco apenas o talento que deslumbra o amarelo e o azul, o verde e o vermelho. Porque o mundo se rende a vocês. Que levem os valores que fazem de nós humanidade e que honrem o símbolo que têm ao peito. Mostrem o que é garra, paixão, foco e determinação. O que é amor, ambição e gratidão. Mas, acima de tudo, façam jus à palavra que carregam no braço 90 minutos. RESPECT. Mostrem que somos mais do que duas pernas, do que dois pés, do que assistências e do que golos. Mais do que dinheiro, somos humanos. Mais do que vitórias, somos humanidade. Lembrem-se que os vossos pés não espelham apenas a arte do futebol. Carregam ideias. E as ideias pesam tanto como uma bomba. E quando sentirem vontade de insultar, de humilhar ou até mesmo de desistir, mostrem-se verdadeiros campeões. Sejam grandes. Sejam diferentes. Sejam melhores. Sejam humanos.

45+3. O Borussia de Dortmund está a perder por uma bola, em casa. O muro amarelo chora mas não quebra.
Deste lado, aqueles que vos admiram não vos irão falhar. Há um mundo a seguir-vos e há por isso a responsabilidade de serem um exemplo. De contribuírem para a construção de um mundo melhor. Não nos falhem.
Deste lado faremos o mesmo. Estaremos convosco sem que isso implique estar contra os outros. Estaremos cá para defender o amarelo sem odiar o vermelho e o verde. Partilhamos muito com o adversário. Em lados opostos, mas sentimos o mesmo. Em lados opostos, mas o foco é o mesmo. A paixão, a lealdade, e o orgulho estão em cada canto deste estádio. Sairemos daqui de coração cheio, ainda que percam, se derem tudo em campo, se jogarem como os grandes e se forem grandes. Grandes mas humildes, grandes mas honestos. Grandes mais leais. Essa é a verdadeira grandiosidade. Este é o verdadeiro futebol. O verdadeiro desporto. Ético e livre. Acessível a todos. Sem medos.
Grande penalidade convertida por Aubameyang e golo de Bartra. O Dortmund vence por 2-1.
Ao fundo, um muro amarelo. Um uníssono e longo aplauso dirigido aos adeptos adversários que souberam ganhar e perder. Um aplauso ao Dortmund que soube Ser. Humano.
Que grande metáfora de vida é o futebol, cheia de ataques e defesas. De autogolos e golos do meio campo que nos levam a uma só final: sermos humanamente campeões.»

Texto premiado com o 1.º lugar, a nível nacional, no Concurso literário Ética na vida e no desporto.

terça-feira, 18 de julho de 2017

O texto de Ana Ferreira, “Autogolo” vence Concurso Literário “A Ética na Vida e no Desporto"

Ana Filipa Gomes Ferreira, do 12.º CT4, venceu a V Edição do Concurso Literário “A Ética na Vida e no Desporto” e ganha uma viagem à Grécia.

 O concurso “A Ética na Vida e no Desporto” é promovido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, através do Plano Nacional de Ética no Desporto, com o apoio do Jornal Desportivo “A Bola”, a Direção-Geral da Educação/Desporto Escolar, a Direção - Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e o Comité Olímpico de Portugal.

A participação da aluna neste concurso enquadra-se num conjunto de atividades promovidas pelo Departamento de Educação Física, pela Biblioteca Escolar e pelo docente de Português da jovem, que culminou com a realização de uma palestra pelo jogador de futebol Tarantini (Ricardo Vaz), antigo aluno desta instituição.

Para além de ver o seu texto, intitulado “Autogolo”, publicado no jornal ”A Bola”, ganha uma viagem para duas pessoas à Grécia, que inclui visita à Academia Olímpica Internacional, e um diploma com o design da primeira página do referido jornal desportivo.

A Escola Secundária congratula-se com está vitória e felicita a aluna, acrescentando que o texto vencedor será divulgado no blogue da Biblioteca Escolar, “Ler Porque Sim”, depois de publicado no jornal “A Bola”.

Texto da aluna no jornal “A Bola”: http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=682433


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Encontros com Encarregados de Educação [Semana da Leitura]

A Encarregada de Educação, D. Rosa Sampaio, falou de histórias dentro de livros aos alunos do 9º C. "O Principezinho" de Antoine de Saint-Exupéry foi um dos livros desvelados:

"O essencial é invisível para os olhos."





A BE agradece o envolvimento da Associação de Pais e Encarregados de Educação nesta iniciativa.

terça-feira, 9 de maio de 2017

"filhos de humanizado sal" de José Gonçalves [Semana da Leitura]


Encontro com José Gonçalves, autor de "filhos de humanizado sal". 


"A Poesia é uma arma carregada de Futuro" Gabriel Celaya [Semana da Leitura]


As alunas, do 12º ano, Bárbara Abrunhosa, Beatriz Sousa, Carina Lopes e Sandra Pinheiro recitaram poemas de Alexandre O'Neill, António Gedeão, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny, Manuel Alegre e Sophia de Mello Breyner Andresen acompanhadas de João César Monteiro (Sophia de Mello breyner Andresen, 1969).
Que bonito! 






















Recital de Poesia & Filme poético


Física, Quimica e Poesia. [Semana da Leitura]


Atividade Física, Quimica  e Poesia com a Prof. Eugénia Timóteo no auditório da BE.




domingo, 23 de abril de 2017

Uma Biblioteca é uma estação de comboios...e um Livro?


No dia Mundial do Livro e dos direitos de autor, relembramos o que Ricardo Abreu*, aluno que  em 2008 frequentava o 9.º H, escreveu:

"O que são as bibliotecas? São lugares onde nos podemos instruir, alargar a cultura literária e apreciar um bom livro?
Para a maioria das pessoas a resposta seria 'sim', mas para mim, não.
'E porquê?' - perguntam vocês. 
Bem porque eu sou um livro e, como tal, tenho uma opinião bem diferente.
Antes de mais, permitam-me que me apresente, o meu nome é CLS. Na verdade estas são as minhas iniciais, desvendá-las-ei mais tarde.
Acham que nós, os livros, somos asssim tão diferentes dos jovens de hoje? Na minha perspectiva, não. Aqui na bilioteca estamos agrupados, tal como os jovens. Há o grupo dos sabichões, os dicionários e  enciclopédias; o grupo dos sentimentalistas e eloquentes, os poemas; os sonhadores, os contos, as novelas e os romances, e as mais populares, as mais requisitadas, as revistas, ou como diria um amigo meu, o Dicionário de Inglês-Português e Português-Inglês, as 'tabloids'. 
Eu estou integrado no grupo dos sonhadores, e também gosto de pensar que, apesar da nossa mini-sociedade (biblioteca) nos rotular e agrupar, nós, os livros, podemos trocar palavras e histórias uns com os outros. Isto é precisamente o que os grupos de jovens humanos não fazem. Por isso, para além dos livros darem uma lição de moral no fim, também podem ensinar muita gente a comunicar. Portanto, para mim, a biblioteca é uma estação de comboios, onde cada leitor é um passageiro e nós, os livros, somos os funcionários, cuja função é assegurar que as carruagens, a mente, de cada passageiro, não fiquem vazias. E, sendo a biblioteca uma estação de comboios, é também um ponto de encontro para todos aqueles que queiram aprender.
Depois de vos dizer o que penso, já devem ter descodificado o meu nome, mas, pelo sim, pelo não, di-lo-ei: o meu nome é Crónicas de um Livro Sonhador."



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* Neste momento, o Ricardo frequenta o 1º ano do Doutoramento em Biologia Experimental e Biomedicina (Universidades Coimbra-Maastricht). A BE felicita-o pelo seu percurso! 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

sexta-feira, 24 de março de 2017

Poema de Ana Cardoso. 10º CT1


ANOS

O teu sorriso outrora diamantes
Tesouro de toda uma era
Se pudesse ser como d’antes
Alegres dias de primavera

Os teus escuros cabelos
Negros como puros carvão
Outrora voavam tão belos
Quentes dias de verão

As tuas lágrimas pedras reluzentes
Passavam-me todo o teu transtorno
De alguma forma eram tão quentes
Nesses tristes dias de outono

Os meus olhos vagueiam ciganos
Procuram esses momentos tão ternos
Horas transformam-se em anos
Nestes frios dias de inverno


Ana Mariano Cardoso, 10º CT1

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